Educação para o trânsito nas escolas

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Educação

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a população do planeta entendeu que não poderia mais admitir tamanha perda de vidas, genocídio em massa como o que o ocorreu com os judeus e que não poderia mais tolerar a estupidez e a arrogância de um país que ameaçasse a paz mundial com tamanha brutalidade.

A carta da ONU (Organização das Nações Unidas) nasce, em 1945, com o objetivo principal do respeito aos direitos e liberdades fundamentais do indivíduo, a manutenção da paz, a segurança internacional e promoção do desenvolvimento social, com melhorias nas condições de vida dos indivíduos.

Menos de vinte anos depois da publicação da carta da ONU, eclodem dezenas de conflitos sangrentos entre os EUA e o Vietnã, o genocídio de povos africanos provocados por sucessivas guerras civis, o conflito entre a União Soviética (hoje Rússia) e Afeganistão, a guerra civil no Líbano, o genocídio após a dissolução da Iugoslávia, a invasão dos EUA no Afeganistão e no Iraque, a guerra civil na Síria entre outras ações bélicas e terroristas ao redor do mundo.

Comparáveis às grandes tragédias humanas, os acidentes de trânsito no mundo são responsáveis, muitas vezes, por um número de mortes maior que as guerras e os genocídios dos séculos XX e XXI.

No Brasil o trânsito mata, todos os anos, um número de pessoas superior a muitos conflitos bélicos e genocídios no mundo.  Todos os especialistas em trânsito estão convencidos de que a saída para essa tragédia é a educação.

A educação para o trânsito nas escolas

Do ensino fundamental à universidade, o tema precisa ser curricular, para a formação de um cidadão apto a respeitar as leis do trânsito, ter comportamento solidário e assim, diminuir as ocorrências de mortes, lesões e sequelas provocadas pelos acidentes de trânsito.

É o que prevê o artigo 76 do CTB:  A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação.

Neste sentido o braço da ONU, a UNESCO, em 1999, anunciou os Quatro Pilares da Educação elaborados por Jacques Delors que compreendem: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser.

Na prática, na grande maioria das escolas públicas e em muitas escolas privadas, o primeiro pilar da educação não encontra competências e habilidades para ser desenvolvido. Baixos salários, falta de formação acadêmica dos professores, ausência de infraestrutura como edificações escolares, equipamentos, internet, entre outros, impede o fluxo do aprendizado dos alunos, o desenvolvimento do senso crítico e a curiosidade intelectual.

Da mesma forma, no segundo pilar da educação, os alunos brasileiros não conseguem fazer escolhas, solucionar problemas, não confiam em modelos pré-existentes e tampouco, os alunos brasileiros conseguem perceber as mudanças profundas na sociedade. No terceiro pilar da educação, os alunos brasileiros estão enfraquecidos quando o assunto é a tolerância, respeito, colaboração.

No quarto pilar da educação: aprender a conhecer fica extremamente prejudicado porque a gestão das escolas públicas e seus professores enfrentam carências de planejamento, infraestrutura e qualidade na formação do professor para incrementar programas que estimulem a inteligência, criatividade, sensibilidade, responsabilidade, pensamento crítico e ética.

Educação e Cidadania

Basta reparar nos nossos indicadores ou mesmo ver nossa colocação no IDH, o Brasil está atrás do México, atrás de 75 países, para percebermos que as coisas não vão bem e que temos muito o que avançar quando o assunto é Educação e Educação para o Trânsito.

Nas estimativas do PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, nossa situação está ainda mais crítica por conta da Pandemia, pois em países como o nosso, 86% das crianças do ensino fundamental estão sem receber nenhum tipo de educação formal, enquanto nos países com alto Índice de Desenvolvimento Humano, apenas 20% das crianças foram afetadas.

As estatísticas nos mostram um cenário aterrorizante. De acordo com o Ministério da Saúde: em 2011, o Brasil registrou 44.553 mortes resultantes de acidentes de trânsito, o número abaixou para 33.625 em 2018 e em 2019 foram registradas 30.371 mortes no trânsito brasileiro, destas, 10.674 eram de motociclistas sendo 83% do sexo masculino.  Ocupamos o desonroso 4º lugar no mundo em mortes pelo trânsito, segundo a OMS.

Suécia é exemplo

Entre os 25 países mais seguros para dirigir, a Suécia é quem possui o mais baixo índice de mortos por acidente de trânsito, com apenas 2,8 mortes para cada 100.000 habitantes.  Líder em assuntos sobre mobilidade urbana, entendeu que a solução para conter acidentes de trânsito está nas escolas.  Um sueco começa a aprender sobre segurança nas estradas a partir dos 4 anos de idade e continua com o assunto, de forma curricular e aplicada, até a universidade.

A importância da escola para estimular valores apontados nos quatro pilares da educação é fundamental para a construção de uma sociedade que possa trabalhar a tolerância, responsabilidade, solidariedade e respeito no trânsito ao longo do processo de ensino e aprendizagem do aluno.  São valores que, certamente, irão colaborar, para a diminuição de mortes por acidente de trânsito, valores que vão fazer com que o consumo de bebidas alcóolicas, excesso de velocidade, participação do motorista em rachas, sejam extintos ou insignificantes para as estatísticas.

Fonte: Portal do Trânsito/ Por José Nachreiner Junior